PROJETO DHOBI GHAT

Depois de duas graduações, optei por fazer um curso técnico de Produção de Moda. Não foi uma decisão aleatória. Como eu gosto de costurar e faço isso de modo intuitivo, achei que seria legal aprender com profissionais por um caminho mais rápido. Estou gostando do curso, diferente de uma graduação a teoria é um pouco reduzida devido ao tempo. Nesse caso a prática é o que conta, assim, você já começa colocando a “mão na massa”. O negócio é produzir.

Logo nas primeiras semanas do curso, por meio da disciplina de processos criativos foi proposto que realizássemos o desenvolvimento de uma roupa conceito com o tema Índia, pensei comigo “ah vai ser moleza, escolho um subtema, leio sobre, faço uma customização, chamo uma amiga pra desfilar a roupa e tá tudo certo”. Depois de quarenta minutos de explicação de como deveríamos executar o projeto meu pensamento virou fumaça e me dei conta que o buraco era mais embaixo.

Bom, para começar tive que decidir meu público alvo, estilo de vida e ocasião de uso da roupa, sendo que nem o subtema eu tinha, e para ontem confeccionar os panéis manualmente (nada digital). Aí você me pergunta “que negócio de painel é esse, não era roupa?”, pois é caro leitor, nesse momento percebi que não sabia nada de moda e que ter uma máquina de costura, pesquisar sobre estilistas não bastava para ser o pipoco do trovão da moda.

Os painéis, ah os painéis! Bom eles são uma espécie de mural, no qual você insere as imagens, fotos do seu público alvo, estilo de vida, ocasião de uso, os materiais que foram utilizados para confeccionar a roupa, o desenho do seu projeto, a cartela de cores e tudo que possa justificar o seu produto.  Partindo do pressuposto que você precisa vender o seu produto por meio dos painéis, estes têm que ser criativo e esteticamente agradável para a visualização (fácil, moleza, só que não).

Enfim, coloquei tudo no papel, tentei me organizar e como dizem “começar pelo começo”. Primeiro iniciei pesquisando sobre a Índia, economia, cultura, religião, costumes. Assisti também alguns documentários e por meio de um desses consegui definir meu subtema. O documentário que me auxiliou foi O MUNDO SEGUNDO OS BRASILEIROS – Índia, disponível no youtube e netflix.

IMAGENS BASE

O subtema escolhido foi a Mahalaxmi Dhobi Ghat, considerada a maior lavanderia a céu aberto do mundo, localizada em Mumbai. A escolha se deu pela semelhança e ao mesmo tempo diferença, pois a grande maioria das pessoas lavam as suas roupas, o que diferencia é como e onde cada indivíduo em sua cultura executa esse processo. A partir daí tudo começou a andar, a ideia dos painéis, com detalhe para os bonequinhos articulados de papel, a escolha das fotos de referência para a confecção da roupa e todo o conceito em torno.

PAINEL

Com toda a parte conceitual pronta e devidamente avaliada, iniciei a produção da vestimenta conceitual. Nesse momento olhei para tudo o que foi pesquisado e me dei conta que os principais elementos da roupa (touca e bolsos) seriam compostos pelo famoso macramê, até aí tudo bem, tirando o fato de que eu nunca havia feito o dito cujo até o momento.

Assim, a minha saga ao Macramê começou: tutorial, vídeos, cortando barbante do tamanho errado, quebrando a cabeça para trançar bolsos e touca. Depois de muitas algumas tentativas erradas de como não fazer macramê, consegui finalizar.

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CONCEITUAL – DHOBI GHAT
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CONCEITUAL – DHOBI GHAT
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CONCEITUAL – DHOBI GHAT
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CONCEITUAL – DHOBI GHAT

Como tudo na vida não são flores, amores e blá, blá, blá, teve a hora do desespero, o “por que eu escolhi esse tema”, os dias de amor pelo seu trabalho e ódio pelo mesmo. Mas quando você vê o que foi planejado pronto, e com um resultado honesto (digo honesto, porque fiz o melhor que pude com recursos limitadíssimos), todo o processo se torna gratificante.

Por fim, fiquei satisfeita e bem contente com o resultado. E como diz o poeta: todo início é difícil e que venham as críticas, afinal quem é bom o suficiente…

E você o que achou?


webpequena

Jaqueline Lira

“Sou contadora por formação, artista por emoção, palhaça por vocação e  estudante de produção de moda por dedicação”.

 

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